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riscos_e_rabiscos

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O Padrinho: Terror À Espreita.

 

Isto de começar um domingo com uma grande moca de anti-histamínico e com uma notícia aterradora a pairar sobre a minha cabeça, tem muito que se lhe diga.

 

But first things first. Naquela semana dos feriados, tive o meu padrinho octogenário (mas em melhor estado do que eu, diga-se em abono da verdade) na minha casa a passar umas “mini-férias”.

Hoje, quando cheguei a casa da minha mãe para almoçar, ela diz-me que “parece que o tio - que é o meu padrinho – quer vir com o N. para cima no dia 15”. Eu e o N. estarrecemos, congelámos e já nem a comida nos caiu lá muito bem.

A nossa mente começou a visualizar as nossas férias estragadas pela estadia do meu padrinho. Pusemos os neurónios a funcionar a full power para arranjar desculpas e subterfúgios, para a eventualidade de recebermos um telefonema do meu padrinho a dizer para o N. o ir buscar porque vinha para Lisboa.

 

Não é por nada, mas aqueles preciosos feriados em que eu estava atafulhada de testes, preparações de festas de final de ano, relatórios de avaliação, etc., mais pareceram dias no inferno. E não fiz nada, o que significou trabalhar a dobrar nas semanas seguintes.

Mas isto nem foi o pior!

 

Imaginem lá terem de madrugar para fazer e dar  pequeno-almoço ao padrinho, pois apesar de eu deixar tudo prontinho em cima da mesa, ele sentava-se na cadeira à espera que lhe fizesse o café com leite e a torrada do pão que ele por acaso até nem gostava… pouco!

 

Depois era a cegada do almoço. Não gostava disto, nem daquilo. E até comia poucochinho, dizia ele. Quando a comida lhe agradava, enfardava bem. Quando eu lhe perguntava se não queria mais, a resposta era sempre “mai nada!” mas a seguir atestava com mais um quilo de fruta. Lol!

 

Jamais me esquecerei do som da prótese dentária: Clac! Clac! Clac! E dos “grunfs” a comer e muito menos da tosse fingida para disfarçar o soltar dos prisioneiros, que é como quem diz dos gases intestinais.

 

Até o meu cão, o Pimentinha, sofreu “ataques de festas” mais conhecidos por pancadas na cabeça e esfreganço de solas de chinelos no pêlo. O pobre bicho até já fugia do meu padrinho, mais conhecido por… Lorde Ganéche! É tão Lorde, tão Lorde que nem se mexe! Humpf!

 

Mas os piores episódios, foram os seguintes: um dia descobri que ele andava a fazer a barba com o meu sabonete de lavar as partes íntimas. Pois…

Dei a extrema-unção ao sabonete, arranjei-lhe um caixãozito e enterrei-o no caixote do lixo mais próximo. Isto permaneceu no segredo dos deuses, ou seja, entre mim e o N., até hoje.

 

Para despedida, resolveu que ao almoço queria carapaus fritos. Corri todos os supermercados à procura e nicles. Resolvi levar sardinhas. Arrisquei mesmo. Ah, e um pepino. Isto era o mais importante de tudo.

Fomos assar as sardinhas e perguntámos-lhe quantas comia. Respondeu que comia algumas 50. Assámos imensas sardinhas. Em suma, comeu 2 ou 3 e nós tivemos que morfar as outras de empreitada. O pepino?! O meu padrinho comeu-o inteiro juntamente com tomate que dava para alguns 50 e uma alfacezinha, que era só para dar cor.

Ufa! Só de me lembrar até já fiquei cansada!

 

Em resumo, a sensação que tenho é de que não fiz mais nada nesses dias senão fazer comida e dar de comer. Argh!